Sífilis no município de Rio de Janeiro


Apresentação

Este boletim foi elaborado em conjunto pelo Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e pela Área Técnica da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida e Doenças Sexualmente Transmissíveis da Coordenação das Linhas de Cuidado das Doenças Crônicas Transmissíveis da Superintendência de Atenção Primária (SAP), ambos da Subsecretaria de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde (SUBPAV) da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio). Esta edição do boletim epidemiológico é apresentada em formato eletrônico e interativo. Como parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública (Portaria GM/MS n° 6.734, de 18 de março de 2025), a sífilis adquirida, a sífilis em gestante e a sífilis congênita são agravos de notificação compulsória, que deve ser realizada em tempo oportuno, no prazo máximo de sete dias. A inclusão desses agravos na lista ocorreu de forma progressiva: a notificação compulsória da sífilis congênita foi instituída pela Portaria nº 542, de 22 de dezembro de 1986; a da sífilis em gestante, pela Portaria nº 33, de 14 de julho de 2005; e a da sífilis adquirida, pela Portaria nº 2.472, de 31 de agosto de 2010. As notificações são registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), base utilizada na elaboração deste boletim. A partir delas, a vigilância epidemiológica municipal atua para monitorar, investigar e qualificar os casos, o que inclui a revisão de prontuários e a análise de acompanhamento das gestações com sífilis, da adequação de tratamento e dos exames de monitoramento. Deve ser reforçada a importância da completude dos dados na notificação, fundamental para a efetividade das ações de vigilância, permitindo melhor análise do perfil epidemiológico, orientando, assim, a tomada de decisões e contribuindo para implementação de políticas públicas de controle e prevenção. As três formas de notificação estão diretamente relacionadas entre si e possuem unidades de registro distintas, o que é essencial para a leitura dos dados. A sífilis adquirida é uma notificação individual, referente à pessoa diagnosticada. A sífilis em gestante é a notificação do evento gestação: o que se registra é a gestação de uma pessoa com sífilis, de modo que cada nova gestação gera uma nova notificação. A congênita, por sua vez, é notificada a partir do desfecho da gestação e corresponde aos casos que atendem aos critérios de definição de caso. Cada agravo possui ficha de notificação própria, mas a análise de sífilis congênita depende diretamente da qualidade e da oportunidade com que a sífilis na gestação foi identificada, tratada e acompanhada.

Este boletim epidemiológico da sífilis no Município do Rio de Janeiro (MRJ) reúne informações sobre os casos no período de 2016 a 2025, com os dados extraídos de bases atualizadas em setembro de 2026, já submetidos aos procedimentos de qualificação e consistência das informações. Apresenta, também, os dados operacionais ligados à organização da atenção, acesso ao diagnóstico, tratamento e demais ações no enfrentamento da doença no MRJ. Este boletim reafirma o compromisso da SMS-Rio nas ações de controle e prevenção da sífilis.


1. Panorama epidemiológico

Os dados de sífilis são atualizados semanalmente e podem ser consultados no Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio de Janeiro (EpiRio), disponível no endereço https://svs.rio.br/epirio .


A sífilis permanece como uma infecção de relevância para a saúde pública por apresentar elevada capacidade de transmissão e, em parte dos casos, manifestações pouco específicas ou ausentes. Do ponto de vista da vigilância, o principal desafio não é apenas identificar casos, mas garantir que o diagnóstico resulte em tratamento oportuno, seguimento e abordagem das parcerias. Na gestação, essa cadeia de cuidado assume caráter prioritário, pois a ocorrência de sífilis congênita é fortemente influenciada pela oportunidade do diagnóstico, pela adequação do tratamento materno e pela continuidade do acompanhamento pré-natal. A série histórica evidencia três movimentos simultâneos em 2025: manutenção da expansão da detecção da sífilis adquirida, aumento da detecção de sífilis em gestantes e queda da incidência de sífilis congênita. A taxa de sífilis adquirida atingiu 269,1 casos por 100.000 habitantes, maior valor da série; a taxa de detecção em gestantes chegou a 120,0 por 1.000 nascidos vivos, também no maior patamar observado; enquanto a incidência de sífilis congênita caiu para 9,4 por 1.000 nascidos vivos, menor valor da série. O conjunto sugere maior capacidade de identificação da infecção materna associada a avanços na prevenção da transmissão vertical, embora persistam lacunas importantes no cuidado e no tratamento.


Taxas de detecção/incidência de sífilis adquirida, gestacional e congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações. Nota: Para o cálculo da taxa de incidência de sífilis congênita, foram excluídos os casos de aborto e natimorto da análise.



1.1. Sífilis adquirida

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum e, muitas vezes, pode ser silenciosa, não apresentando sintomas característicos ou não sendo percebidos, uma vez que as manifestações desaparecem mesmo sem tratamento. Isso ressalta a importância da testagem, que possibilita o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento adequado da infecção. O tratamento de escolha é a penicilina, eficaz em todas as apresentações da sífilis, e o esquema terapêutico é definido conforme a classificação clínica. A vigilância dos casos de sífilis adquirida visa ao cuidado da saúde individual da pessoa quanto a garantir a interrupção da cadeia de transmissão da infecção. O diagnóstico e o tratamento adequado de todos os casos são de extrema importância para a saúde pública e especialmente relevantes nos casos de sífilis na gestação e de sífilis congênita, uma vez que contribuem para a redução de óbitos fetais e infantis, assim como de sequelas nas crianças acometidas pela transmissão vertical da sífilis. Em 2025, a taxa municipal de detecção de sífilis adquirida alcançou 269,1 casos por 100.000 habitantes, configurando o maior valor do período (2016-2025). A distribuição territorial, no entanto, não foi homogênea. Neste mesmo período, a AP 1.0 apresentou 539,9 casos por 100.000 habitantes, a maior taxa do município, seguida da AP 3.2, com 344,9. Na sequência, destacaram-se a AP 5.3 (286,1) e a AP 5.1 (264,2). A comparação entre 2024 e 2025 demonstra essa distinção. Houve redução nas APs 1.0 (578,7 para 539,9), 2.1 (229,8 para 227,5), 5.1 (287,0 para 264,2) e 5.2 (249,5 para 243,8), estabilidade na AP 2.2 (195,9 para 196,4) e crescimento nas APs 3.1 (208,6 para 241,9), 3.2 (292,2 para 344,9), 3.3 (158,0 para 194,3), 4.0 (187,0 para 217,4) e 5.3 (275,6 para 286,1). Em 2025, as menores taxas foram observadas nas AP 3.3 (194,3), AP 2.2 (196,4) e AP 4.0 (217,4). O perfil dos casos permanece concentrado entre homens e adultos jovens, especialmente na faixa etária de 20 a 39 anos. Observa-se, ao longo da série, maior presença de pessoas autodeclaradas pretas e pardas e concentração entre indivíduos com 8 a 11 anos de escolaridade, embora a interpretação da escolaridade deva ser feita com cautela devido à persistência de registros ignorados. Do ponto de vista epidemiológico, o padrão aponta para a necessidade de ações territorializadas e de estratégias de prevenção e testagem capazes de alcançar grupos com maior exposição e menor oportunidade de diagnóstico.


Taxa de detecção de sífilis adquirida por 100.000 habitantes por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Número de casos de sífilis adquirida por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Ano AP 1.0 AP 2.1 AP 2.2 AP 3.1 AP 3.2 AP 3.3 AP 4.0 AP 5.1 AP 5.2 AP 5.3 MRJ
2016 351 301 79 417 446 369 494 514 799 186 3970
2017 598 836 146 242 729 877 1242 681 979 128 6493
2018 583 907 193 217 705 878 1539 822 1058 224 7354
2019 562 773 242 543 703 1042 1438 763 1127 297 7608
2020 730 632 371 744 703 1120 1783 726 1220 247 8535
2021 985 1199 396 1878 741 1255 1935 894 1537 290 11356
2022 1576 1096 580 2055 830 1526 1838 2055 1726 906 14740
2023 1326 1128 494 1649 862 1336 1754 1534 1414 967 13829
2024 1851 1479 733 1891 1675 1504 2016 1950 1806 1132 16839
2025 1727 1464 735 2193 1977 1849 2343 1795 1765 1175 18115
a Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados de 2024 até o mês de outubro.


Taxa de detecção de sífilis adquirida por 100.000 habitantes por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição de sexo (A), faixa etária (B), raça/cor (C) e escolaridade (D) dos casos de sífilis adquirida por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


1.2. Sífilis na gestação

Na assistência ao pré-natal, a testagem para sífilis deve ocorrer de forma oportuna, ainda na primeira consulta, possibilitando diagnóstico e tratamento oportunos. No município do Rio de Janeiro, o protocolo de acompanhamento da gestação preconiza a realização da testagem para sífilis a cada trimestre gestacional e no momento do parto.A série histórica mostra aumento da taxa de detecção em gestantes desde 2016, com queda discreta em 2023 (de 103,9 para 93,7) e retomada do crescimento em 2024 (114,7) e em 2025, quando a taxa foi de 120,0 casos por 1.000 nascidos vivos, o maior valor do período 2016–2025. Em 2025, a maior taxa entre as Áreas Programáticas foi registrada na AP 5.1 (163,0 por 1.000 nascidos vivos), enquanto a menor taxa foi na AP 2.1 (56,6). A AP 3.2 passou de 105,0 em 2024 para 130,4 em 2025. A distribuição evidencia importante heterogeneidade territorial e reforça a necessidade de análise conjunta dos indicadores de detecção, acesso ao pré-natal e qualidade do cuidado. Entre as gestantes notificadas, predomina a faixa etária de 20 a 34 anos e a presença de adolescentes de 10 a 19 anos vem apresentando redução gradual desde 2020. Na dimensão racial, permanece o crescimento proporcional de mulheres pretas e pardas entre as notificações. Em relação à escolaridade, houve redução de registros de gestantes com menos de oito anos de estudo, aumento da faixa de 8 a 11 anos e diminuição da proporção de informações ignoradas.


Taxa de detecção de sífilis em gestante por 1.000 nascidos vivos por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Taxa de detecção de sífilis em gestante por 1.000 nascidos vivos por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Número de casos de sífilis em gestantes por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Ano AP 1.0 AP 2.1 AP 2.2 AP 3.1 AP 3.2 AP 3.3 AP 4.0 AP 5.1 AP 5.2 AP 5.3 MRJ
2016 190 123 77 526 290 443 521 441 411 368 3398
2017 249 164 60 721 413 750 681 569 564 487 4680
2018 238 142 84 724 409 822 786 682 575 496 4980
2019 280 150 77 624 326 730 774 624 541 451 4605
2020 342 175 150 1028 577 1051 1015 1040 771 693 6880
2021 299 229 105 1009 504 1061 947 792 862 671 6512
2022 353 208 141 1037 543 1167 895 817 847 671 6718
2023 316 210 101 947 484 882 851 772 702 573 5870
2024 355 208 136 1111 462 943 969 846 854 669 6589
2025 362 226 141 1140 582 983 1084 948 808 734 7042
a Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição da faixa etária (A), raça/cor (B) e escolaridade (C) dos casos de sífilis em gestante por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Classificação clínica e tratamento

Na gestação, o tratamento preconizado é a benzilpenicilina benzatina conforme a classificação clínica estabelecida no momento do diagnóstico. A penicilina benzatina é a única opção terapêutica segura e eficaz para a gestante. O intervalo entre as doses (7 dias) deve ser observado rigorosamente, pois atrasos além do limite recomendado (9 dias) podem comprometer o esquema e demandar reinício do tratamento, conforme as orientações técnicas vigentes da SMS Rio e Ministério da Saúde.


A classificação clínica dos casos mostra predominância crescente da sífilis latente. Em 2025, 68,6% das notificações foram classificadas como latentes, enquanto as categorias primária e secundária representaram 11,9% e 1,7%, respectivamente; a sífilis terciária correspondeu a 9,5% e 8,3% permaneceram ignoradas. A prescrição de tratamento adequado manteve-se elevada, alcançando 95,3% em 2025. Em contraste, apenas 27,0% das parcerias sexuais foram registradas como tratadas, enquanto 55,7% não receberam tratamento e 17,3% permaneceram com informação ignorada. A diferença entre esses indicadores evidencia um ponto crítico para a interrupção da cadeia de transmissão e também um ponto de atenção na eliminação da transmissão vertical.


Distribuição proporcional da classificação clínica da sífilis em gestante por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição proporcional da classificação clínica da sífilis em gestante por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição proporcional do tratamento prescrito adequadamente para sífilis gestacional por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição proporcional do tratamento prescrito adequadamente para sífilis gestacional por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição proporcional do tratamento da parceria do caso de sífilis em gestante por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição proporcional do tratamento das parcerias do caso de sífilis em gestante por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição dos motivos de não tratamento da parceria do caso de sífilis em pessoa gestante por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição dos motivos de não tratamento da parceria do caso de sífilis em gestante por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


1.3. Sífilis congênita

A sífilis congênita constitui um importante problema de saúde pública, uma vez que a transmissão vertical da infecção pode ocorrer em qualquer fase da gestação, independentemente do estágio da sífilis materna, e ocasionar consequências graves, como perda fetal, natimortalidade, prematuridade e manifestações clínicas no recém-nascido. Nesse contexto, o diagnóstico oportuno, através do rastreamento e o tratamento adequado durante o pré-natal são fundamentais para interromper a transmissão e reduzir os desfechos adversos. No município do Rio de Janeiro, a série histórica de 2016 a 2025 evidencia uma redução expressiva da incidência de sífilis congênita nos anos mais recentes. Após atingir 19,2 casos por 1.000 nascidos vivos em 2022, a taxa apresentou trajetória descendente, alcançando 9,4 casos por 1.000 nascidos vivos em 2025, o menor valor do período analisado. Em comparação com 2016, quando foram registrados 16,4 casos por 1.000 nascidos vivos, houve redução de aproximadamente 43%. A tendência também é observada nos números absolutos: os registros passaram de 1.470 casos, em 2016, para 606, em 2025, correspondendo a uma diminuição de cerca de 59%. Embora esses resultados indiquem avanço no enfrentamento da transmissão vertical, sua interpretação deve considerar a possível influência de mudanças na detecção, na notificação e na oportunidade de encerramento dos casos. A redução observada reforça a importância de dar continuidade às ações de fortalecimento da atenção pré-natal, com ênfase na identificação precoce da infecção, no acesso oportuno à testagem, no tratamento adequado das gestantes e de suas parcerias sexuais e na qualificação da vigilância epidemiológica. A comparação das características sociodemográficas, como faixa etária, raça/cor e escolaridade das mães de crianças com sífilis congênita e das gestantes com sífilis, demonstra perfis semelhantes ao longo de toda a série histórica. A maior proporção corresponde a mulheres entre 20 e 34 anos, autodeclaradas pretas ou pardas, e com escolaridade de menos de 8 anos e de 8 a 11 anos de estudo. Ressalta-se, contudo, a elevada proporção de registros com escolaridade ignorada, o que limita a análise detalhada desse perfil, havendo necessidade de qualificação da informação. No que se refere à realização do pré-natal, observa-se que mais de 80% das mães de crianças com sífilis congênita realizaram acompanhamento durante a gestação em todos os anos da série, entretanto, a análise por AP indica variações, com proporções menores nas AP 1.0, 3.2, 4.0 e 5.3. Quanto ao tratamento materno, os dados revelam uma baixa proporção de tratamento considerado adequado, o que reforça sua relevância na persistência da transmissão vertical. Em 2025, apenas 9,2% das mães de crianças com sífilis congênita receberam tratamento conforme as recomendações, indicando potenciais lacunas no manejo clínico e na prevenção da forma congênita da doença. A classificação final dos casos de sífilis congênita qualifica o desfecho de cada notificação, distinguindo os casos confirmados como sífilis congênita recente dos desfechos desfavoráveis representados pelo aborto e pelo natimorto, além da forma tardia, de ocorrência residual. O detalhamento desse indicador, tanto no âmbito municipal quanto na abertura por AP, é essencial para direcionar as ações de vigilância e de qualificação da assistência pré-natal. A sífilis congênita recente predomina de maneira expressiva e estável ao longo de toda a série histórica. Os desfechos desfavoráveis distribuem-se entre o aborto e o natimorto. O aborto respondeu por 7,1% dos casos em 2025 (ante 5,2% em 2016), com picos em 2024 (7,2%) e nos anos de 2021-2022 (6,2% e 6,9%). O natimorto representou 2,1% em 2025, com o maior valor em 2018 (3,4%). A sífilis congênita tardia manteve-se residual durante todo o período, entre 0,1% e 0,5%, sem registro em 2025. Observa-se, assim, que, embora a forma recente predomine amplamente, o peso relativo dos desfechos desfavoráveis (aborto e natimorto somados) apresentou leve crescimento ao final da série, passando de 6,8% em 2016 para 9,2% em 2025. Esse movimento reforça a importância do diagnóstico e do tratamento oportunos durante a gestação, uma vez que o aborto e o natimorto são desfechos evitáveis quando a infecção materna é identificada e tratada adequadamente. Na abertura por AP, a sífilis congênita recente também predomina em todas as áreas, com os percentuais bastante elevados. Em relação ao aborto, os maiores percentuais acumulados ao longo da série concentram-se nas AP 1.0, 33, 4.0 e 5.3. Merece destaque o comportamento atípico da AP 1.0 em 2025, em que apenas 18,8% dos casos foram classificados como sífilis congênita recente e 75,0% como aborto, resultado provavelmente associado a um número reduzido de casos no ano. Quanto ao natimorto, os maiores pesos relativos aparecem nas AP 2.2, 5.3 e 1.0, reforçando que, embora pouco frequentes, esses desfechos se distribuem de forma desigual entre as APs. Esse padrão reforça que a prevenção da sífilis congênita depende, sobretudo, da qualidade da assistência pré-natal, diagnóstico e tratamento oportunos da gestante e de suas parcerias e não apenas da ampliação da testagem, fundamentais para evitar desfechos adversos e interromper a cadeia de transmissão vertical da infecção.


Taxa de incidência de sífilis congênita em menores de 1 ano por 1.000 nascidos vivos por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações. Nota: Para o cálculo da taxa de incidência de sífilis congênita, foram excluídos os casos de aborto e natimorto da análise.


Número de casos de sífilis congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


A comparação da distribuição espacial da concentração de casos de sífilis congênita no município do Rio de Janeiro, entre 2024 e 2025, evidencia a persistência de áreas de maior concentração na Zona Norte e em setores da região central, com destaque visual para territórios das APs 1.0, 3.1, 3.2, 3.3 e 5.1. Em 2025, observa-se a manutenção de focos de concentração nessas regiões, embora algumas áreas apresentem mudanças na intensidade e na distribuição espacial em relação ao ano anterior. Nas APs 5.2 e 5.3, a concentração aparenta ser mais dispersa, com focos localizados em determinados territórios. Essa atenuação das concentrações de casos em praticamente todas as áreas programáticas, indica avanços no enfrentamento da transmissão vertical da sífilis no município do Rio de Janeiro. Contudo, é possível observar a permanência A comparação da distribuição espacial da concentração de casos de sífilis congênita no município do Rio de Janeiro, entre 2024 e 2025, evidencia a persistência de áreas de maior concentração na Zona Norte e em setores da região central, com destaque visual para territórios das APs 1.0, 3.1, 3.2, 3.3 e 5.1. Em 2025, observa-se a manutenção de focos de concentração nessas regiões, embora algumas áreas apresentem mudanças na intensidade e na distribuição espacial em relação ao ano anterior. Nas APs 5.2 e 5.3, a concentração aparenta ser mais dispersa, com focos localizados em determinados territórios. Essa atenuação das concentrações de casos em praticamente todas as áreas programáticas, indica avanços no enfrentamento da transmissão vertical da sífilis no município do Rio de Janeiro. Contudo, é possível observar a permanência da concentração de casos em localidades de maior vulnerabilidade social, como Maré/Bonsucesso, Benfica, Mangueira, Pavuna, Rio das Pedras, Rocinha, Bangu e Senador Camará, refletindo a determinação social da doença. A análise da razão de sífilis congênita em relação ao total de casos de sífilis em gestantes demonstra queda consistente, passando de 0,4 em 2016 para 0,08 em 2025, a menor razão de toda a série histórica. Essa redução expressiva reforça o êxito das ações de prevenção da transmissão vertical. Destaca-se, nesse processo, a implementação, a partir de 2023, de ferramentas voltadas à qualificação das notificações, que contribuíram significativamente para o aprimoramento da vigilância epidemiológica no município.da concentração de casos em localidades de maior vulnerabilidade social, como Maré/Bonsucesso, Benfica, Mangueira, Pavuna, Rio das Pedras, Rocinha, Bangu e Senador Camará, refletindo a determinação social da doença. A análise da razão de sífilis congênita em relação ao total de casos de sífilis em gestantes demonstra queda contínua, passando de 0,4 em 2016 para 0,08 em 2025, a menor razão de toda a série histórica. Essa redução expressiva reforça o êxito das ações de prevenção da transmissão vertical. Destaca-se, nesse processo, a implementação, a partir de 2023, de ferramentas voltadas à qualificação das notificações, que contribuíram significativamente para o aprimoramento da vigilância epidemiológica no município.


Distribuição espacial da concentração de casos de sífilis congênita, MRJ, 2024


Distribuição espacial da concentração de casos de sífilis congênita, MRJ, 2025


Número total de casos de sífilis congênita por AP e ano, MRJ, 2016-2025.

Nesta tabela estão incluídos os abortos, os natimortos e os casos de SC precoce e tardia.

Ano AP 1.0 AP 2.1 AP 2.2 AP 3.1 AP 3.2 AP 3.3 AP 4.0 AP 5.1 AP 5.2 AP 5.3 MRJ
2016 137 36 46 247 112 339 175 134 156 85 1470
2017 108 52 30 210 135 189 191 178 255 59 1419
2018 86 52 26 168 81 231 198 174 98 51 1181
2019 126 59 38 175 72 165 124 215 101 40 1141
2020 163 64 43 183 108 251 164 268 82 49 1406
2021 93 51 41 217 114 297 169 182 103 59 1352
2022 111 52 39 227 113 299 179 217 73 25 1360
2023 85 23 25 192 91 268 119 175 82 35 1112
2024 94 19 26 156 40 195 87 167 52 28 875
2025 16 24 9 90 45 144 91 92 42 33 606
a Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


O gráfico da razão entre os casos de sífilis congênita e os casos de sífilis em gestantes apresenta, em 2025, a menor razão de toda a série histórica, indicando que, a cada 100 gestantes com sífilis notificadas, apenas cerca de 8 evoluíram para casos de sífilis congênita. Essa redução expressiva reforça os avanços nas ações de prevenção da transmissão vertical. Um marco importante nesse processo foi a implementação, a partir de 2016, de ferramentas específicas para qualificação das notificações no município, que contribuíram significativamente para o aprimoramento da vigilância.


Razão de casos de sífilis congênita em relação ao total de casos de sífilis em gestantes, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição da faixa etária (A), raça/cor (B) e escolaridade (C) materna dos casos de sífilis congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Realização de pré-natal e tratamento

Realização de pré-natal pelas mães de casos de sífilis congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Realização de pré-natal pelas mães de casos de sífilis congênita por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Adequação do tratamento de pessoas que gestaram os casos de sífilis congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Adequação do tratamento de pessoas que gestaram os casos de sífilis congênita por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Classificação final dos casos de sífilis congênita

Distribuição da classificação final dos casos de sífilis congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Distribuição da classificação final dos casos de sífilis congênita por AP e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Mortalidade infantil por sífilis congênita

A mortalidade infantil por sífilis congênita no município apresenta coeficientes historicamente baixos, com oscilações anuais de pequena magnitude ao longo do período analisado. Observa-se uma redução a partir de 2018, mantendo-se em patamares iguais ou inferiores a 0,2 óbito por 1.000 nascidos vivos, com exceção de 2020 (0,3), sugerindo manutenção da tendência de queda. Embora os números indiquem avanço no enfrentamento da transmissão vertical, trata-se de evento evitável, e qualquer ocorrência exige atenção contínua às ações de prevenção, diagnóstico oportuno e tratamento adequado da sífilis durante o pré-natal. Em números absolutos, foram registrados 112 óbitos por sífilis congênita no município entre 2016 e 2025, com média de cerca de 11 óbitos por ano. A distribuição, contudo, não é homogênea no território. A AP 3.2 concentra o maior volume da série (23 óbitos, cerca de 21% do total), seguida pelas AP 5.1 (17 óbitos), AP 3.3 e AP 5.2 (15 óbitos cada). Somadas, as AP 3.2 e 5.1 respondem por mais de um terço dos óbitos do período no município. Na outra extremidade, as menores ocorrências concentram-se na AP 5.3 (2 óbitos) e na AP 2.1 (3 óbitos).


Taxa de mortalidade infantil específica por sífilis congênita por ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Número de óbitos por sífilis congênita por AP e ano, MRJ, 2016-2025
Ano do óbito AP 1.0 AP 2.1 AP 2.2 AP 3.1 AP 3.2 AP 3.3 AP 4.0 AP 5.1 AP 5.2 AP 5.3 MRJ
2016 1
1 1 3 3
3
12
2017
3 3 4 3
3 3
19
2018
1 5 2 2 1
11
2019
2 2 1 1
2
9
2020
4
6 1 3 6
1 21
2021
1
1 2 2 2 3 1 12
2022 1 1 1
1 1 1 2 1
9
2023
1
1
2 1 2 1
8
2024 1 1 1 1
1
5
2025 1
1 1 1
2
6
a Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


1.4. Testagem rápida para sífilis

O município dispõe de 244 Unidades de Atenção Primária à Saúde (APS), um Polo de Prevenção Combinada, uma unidade móvel de testagem, além de equipes de Consultório na Rua (CnaR), equipes de Atenção Primária Prisional (APP), maternidades, Unidades de Pronto Atendimento e serviços da rede de urgência e emergência, ampliando as oportunidades de testagem para sífilis. A capilaridade da oferta é estratégica para reduzir o intervalo entre exposição, diagnóstico e tratamento e para ampliar a identificação de gestantes e demais pessoas com infecção. Os dados do SISLOGLAB mostram expansão consistente da testagem rápida para sífilis no município ao longo dos anos. Em 2016, a média mensal de testes era de aproximadamente 16 mil, enquanto em 2025 esse valor alcançou cerca de 44 mil testes por mês, quase o triplo. A positividade apresenta comportamento inversamente relacionado à expansão da oferta. Entre 2016 e 2019, manteve-se predominantemente abaixo de 10%. Entre 2020 e 2022, subiu e se sustentou acima de 10% (média de cerca de 11% em 2020, 13% em 2021 e 12% em 2022). A partir de 2023, observa-se queda consistente, mantendo níveis médios inferiores a 10%. Em 2025, com exceção de janeiro (12,6%), todos os meses permaneceram abaixo de 10%, com o menor valor da série em outubro (6,9%). Esse movimento - aumento do número de testes e redução da positividade - é compatível com a ampliação do acesso ao diagnóstico, possivelmente refletindo a inclusão de pessoas com menor probabilidade de infecção, para além dos grupos com comportamentos de risco, na estratégia de testagem. A oferta de testagem para sífilis deve ser mantida e qualificada de forma ampla, incluindo a população geral, especialmente nos pontos de maior capilaridade da Atenção Primária, favorecendo o diagnóstico oportuno, o tratamento adequado e a interrupção da cadeia de transmissão. Essa estratégia deve ser articulada à busca ativa e à priorização de gestantes, parcerias sexuais de casos confirmados e pessoas em situações de maior vulnerabilidade.


Total de testes rápidos para sífilis realizados por mês e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SISLOGLAB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Positividade geral de testes rápidos para sífilis realizados por mês e ano, MRJ, 2016-2025

Fonte: SISLOGLAB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


2. Considerações finais

A leitura conjunta da série evidencia um cenário de transformação, em que avanços importantes convivem com lacunas que ainda sustentam a transmissão da infecção. Diante desse cenário, o boletim aponta caminhos prioritários: qualificar e manter a ampliação da testagem, com ênfase na Atenção Primária e nas populações em maior vulnerabilidade; garantir o diagnóstico e o tratamento oportunos da gestante e de suas parcerias, observando rigorosamente o esquema terapêutico da benzilpenicilina benzatina na gestação; reforçar a completude e a oportunidade das notificações, base de toda a vigilância; e reduzir as desigualdades territoriais no acesso ao pré-natal e ao cuidado. A continuidade dessas ações é decisiva para sustentar a queda da sífilis congênita, conter a expansão da sífilis adquirida e avançar rumo à eliminação da transmissão vertical da sífilis como problema de saúde pública. Este boletim reafirma o compromisso da SMS-Rio com o controle e a prevenção da sífilis no município.


Relatório produzido pelo CIE - Centro de Inteligência Epidemiológica em 21/10/2026

Dados sujeitos a alterações.
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Não permitida a reprodução.