A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio) por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e da Superintendência de Atenção Primária (SAP), ambas da Subsecretaria de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde (SUBPAV), apresenta a edição de 2026 do Boletim de Mortalidade Materna.
A morte materna é considerada um evento-sentinela e um importante indicador de saúde pública e social que reflete a qualidade da atenção à saúde da mulher, o acesso aos serviços de saúde, como planejamento familiar, assistência pré natal, parto e ao puerpério, além das condições socioeconômicas e modos de vida. Na maioria dos casos, a morte materna é considerada evitável pela disponibilidade dos serviços de saúde (WHO, 2023). Para a total compreensão dos fatores determinantes e condicionantes desse tipo de óbito, é necessário a análise sistematizada da assistência prestada durante todo o seu ciclo gravídico-puerperal.
No âmbito municipal, o enfrentamento da mortalidade materna é uma agenda estratégica para a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e desde 2021 têm sido alvo de esforços integrados pela SMS-Rio para a sua redução.
Este boletim foi desenvolvido a partir de dados extraídos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) de 2012 a 2025 e apresenta análises do perfil sociodemográfico dos óbitos maternos, além das causas e a distribuição geográfica. Além disso, são apresentados dados sobre a investigação dos óbitos de mulheres em idade fértil (MIF) e as estratégias adotadas para a redução da mortalidade materna.
A SMS-Rio reafirma seu compromisso para a redução da mortalidade materna e avanço na proteção à saúde e equidade de cuidados, na garantia do direito à saúde.
A mortalidade materna pode ser definida como o óbito de uma mulher durante a gestação, parto, abortamento ou até 42 dias após o parto, causada por qualquer fator relacionado à gravidez ou agravado por ela. A Razão de Mortalidade Materna (RMM) é um importante indicador de saúde pública, calculado como o número de óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos (NV). É um indicador sensível que reflete a qualidade da atenção à saúde reprodutiva e da capacidade do sistema de garantir cuidado oportuno e seguro. Os dados sobre mortalidade materna são atualizados semanalmente e podem ser consultados no Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio de Janeiro (EpiRio), disponível no endereço https://svs.rio.br/epirio. A pandemia da COVID-19 trouxe um importante impacto negativo na mortalidade materna entre os anos de 2020 e 2021. Contudo, grandes esforços foram realizados impactando diretamente nessas mortes: em 2024 o município registrou a menor RMM da série histórica (48,7 óbitos a cada 100.000 NV) e 28 óbitos maternos. Em 2025 observou-se um discreto aumento da RMM em relação ao ano anterior, mantendo-se, ainda, abaixo de 70 óbitos a cada 100.000 NV. Essa tendência foi observada também na maior parte das Áreas Programáticas (AP) da cidade.
Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.
Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.
Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.
A linha tracejada corresponde à RMM do MRJ para fins de comparação com a RMM de cada AP (linha cheia).
Historicamente, a RMM é mais elevada entre mulheres com 35 anos ou mais. Contudo, em 2023, observou-se uma inversão desse padrão, onde a maior RMM ocorreu entre adolescentes, representando 153,6 óbitos por 100 mil NV. A partir de 2024 o panorama retorna ao padrão histórico.
Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.
A análise da escolaridade evidencia desigualdades importantes na mortalidade materna: quanto menor o nível de escolaridade, maior a RMM, enquanto mulheres com 12 anos ou mais de estudo apresentaram os menores coeficientes ao longo da série histórica. Em 2025, mulheres com até 3 anos de estudo registraram a terceira maior RMM da série, com 751,9 óbitos por 100 mil NV. Esse cenário reforça a relação entre vulnerabilidades sociais e piores desfechos na saúde materna, destacando a necessidade de ações equitativas e de uma atenção qualificada voltada aos grupos mais vulneráveis.
Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.
A avaliação da RMM por raça/cor demonstra desigualdades persistentes: mulheres negras (pretas e pardas) apresentam RMM superiores aos observados entre mulheres brancas. Embora a SMS-Rio desenvolva ações voltadas ao enfrentamento do racismo estrutural e à promoção da equidade racial, essa população permanece mais exposta ao risco de óbito materno. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar e fortalecer as ações de saúde sexual e reprodutiva com enfoque racial, especialmente nos cuidados perinatais (assistência ao pré-natal, parto e puerpério), visando garantir cuidado qualificado e oportuno às mulheres em maior situação de vulnerabilidade.
Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.
A análise da distribuição espacial dos óbitos maternos permite identificar territórios prioritários e direcionar as estratégias de prevenção e intervenção em saúde materna. Embora haja mudança nas áreas com maior quantidade de casos de óbito em 2025 comparado ao ano de 2024, a distribuição no município do Rio de Janeiro indica que, historicamente, as áreas com maior incidência de mortalidade materna estão em regiões com os menores Índices de Progresso Social (IPS). Essa distribuição aponta vulnerabilidades e evidencia o peso das iniquidades e dos determinantes sociais como fatores centrais na mortalidade materna.