Tuberculose no município do Rio de Janeiro


Apresentação

Este boletim foi elaborado em conjunto pelo Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e pela Gerência da Linha de Cuidados de Doenças Pulmonares Prevalentes (GDPP), da Coordenação das Linhas de Cuidado das Doenças Crônicas Transmissíveis (CDT), vinculada à Superintendência de Atenção Primária (SAP), ambas da Subsecretaria de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde (SUBPAV) da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio). Esta edição do boletim epidemiológico é em formato eletrônico e interativo. A tuberculose (TB) permanece como um importante desafio para a saúde pública, inclusive no município do Rio de Janeiro (MRJ). Trata-se de uma doença infecciosa cujo controle envolve não apenas o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas também a consideração de determinantes sociais, econômicos e ambientais que influenciam tanto o risco de adoecimento quanto a adesão ao tratamento. Nesse contexto, a TB evidencia sua estreita relação com as desigualdades sociais. No MRJ, diferentes iniciativas têm sido implementadas com o objetivo de mitigar esses impactos e fortalecer as estratégias de controle da doença. Em sua quinta edição, este boletim tem como objetivo apresentar o panorama epidemiológico e operacional da tuberculose no município do Rio de Janeiro e fundamenta-se no princípio de transformar informação em ação. A partir da análise de dados provenientes de cinco sistemas de informação em saúde (SINAN, SIM, SITE ILTB, SITE TB e GAL), são apresentadas análises epidemiológicas que subsidiam a tomada de decisão e o planejamento de estratégias baseadas em evidências para o enfrentamento da tuberculose. Espera-se que os resultados aqui apresentados contribuam para o fortalecimento das ações de vigilância, prevenção e cuidado, bem como para o aprimoramento dos processos assistenciais relacionados à tuberculose no município do Rio de Janeiro.


1. Panorama epidemiológico

Os dados de tuberculose são atualizados semanalmente e podem ser consultados no Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio de Janeiro (EpiRio), disponível no endereço https://svs.rio.br/epirio.


Entre 2014 e 2019, a incidência de tuberculose no MRJ apresentou tendência de crescimento, seguida de queda em 2020, possivelmente relacionada ao impacto da pandemia de COVID-19, com posterior retomada a partir de 2021, mantendo-se em patamar elevado nos anos mais recentes (Figura 1.1). Observa-se importante heterogeneidade territorial, com maiores taxas nas Áreas de Planejamento (AP) 5.1 (Bangu) e 1.0 (centro), áreas que concentram complexos prisionais e caracterizadas por maior vulnerabilidade social (Figura 1.2). A Atenção Primária à Saúde foi responsável por mais de 70% das notificações ao longo da série histórica (Figura 1.3). O perfil sociodemográfico dos casos de tuberculose no município caracteriza-se pela predominância entre homens e maior frequência em adultos jovens, especialmente na faixa etária de 20 a 39 anos. Observa-se também maior proporção de casos entre pessoas pretas e pardas e entre indivíduos com baixa escolaridade, evidenciando a associação da tuberculose com contextos de vulnerabilidade social (Figura 1.6).


1.1. Taxa de incidência por 100.000 habitantes por ano, município do Rio de Janeiro (MRJ), 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


1.2. Taxa de incidência por 100.000 habitantes por Área de Planejamento (AP) e ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


1.3. Distribuição de casos novos segundo nível de atenção da unidade notificadora por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”.


1.4. Distribuição de casos novos segundo nível de atenção da unidade notificadora por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”.


1.5. Distribuição geográfica de casos novos de tuberculose no MRJ, 2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”.


1.6. Distribuição dos dados demográficos dos casos de tuberculose por ano, MRJ, 2014-2025

Sexo

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Faixa etária

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Raça/Cor

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Escolaridade

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


2. Confirmação laboratorial da tuberculose

A confirmação laboratorial da tuberculose pulmonar é feita preferencialmente por exame de escarro, utilizando teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB), baciloscopia e/ou cultura. Em 2015, ano de implantação do TRM-TB, 85,9% dos novos casos realizaram exame de escarro (Figura 2.1), e 70,6% tiveram confirmação laboratorial (Figura 2.3). Nos anos seguintes, observou-se redução gradual na realização do exame de escarro, alcançando 68,7% em 2020. A partir de então, esse indicador voltou a apresentar crescimento contínuo, atingindo, em 2024, 92,1% de realização de exame de escarro e 84,3% de confirmação laboratorial, os melhores resultados de toda a série histórica (Figuras 2.1 e 2.3). Em 2025, o município manteve desempenho elevado, com 91,6% dos casos examinados e 84,5% confirmados (Figuras 2.1 e 2.3), evidenciando fortalecimento da Atenção Primária e ampliação do acesso ao diagnóstico. Em relação à realização de cultura nos casos de retratamento, houve aumento de 69,4% em 2022 para 74,3% em 2024, superando a meta pactuada de 70%. A aparente redução em 2025 está relacionada à parcialidade dos dados, decorrente do maior tempo necessário para liberação dos resultados de cultura e da atualização tardia das notificações no sistema (Figura 2.5).


2.1. Proporção de casos novos de TB pulmonar com exame de escarro realizado, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

(Nota: Casos novos de TB pulmonar são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”.


2.2. Proporção de casos novos de TB pulmonar com exame de escarro realizado por AP, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

(Nota: Casos novos de TB pulmonar são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”.)


2.3. Proporção de casos novos pulmonares confirmados por critério laboratorial, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2025.

(Nota: Casos novos de TB pulmonar são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”.


2.4. Proporção de casos novos pulmonares confirmados por critério laboratorial por AP, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2025.

(Nota: Casos novos de TB pulmonar são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”.


2.5. Proporção de cultura realizada em casos de retratamento de TB por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 70% para 2025.

Nota: Os casos de retratamento correspondem aos que entraram no SINAN como “recidiva de TB” ou “retratamento após abandono”.


2.6. Proporção de cultura realizada em casos de retratamento de TB por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 70% para 2025.

Os casos de retratamento correspondem aos que entraram no SINAN como “recidiva de TB” ou “retratamento após abandono”.


3. Coinfecção Tuberculose-HIV

A tuberculose permanece como infecção de alta prevalência e principal causa de óbito entre as doenças transmissíveis em pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA), tornando essencial a investigação sistemática da tuberculose ativa e da infecção latente (ILTB) em todas as oportunidades de cuidado. Em todas as Áreas de Planejamento já está implementado o teste de fluxo lateral para detecção de lipoarabinomanano na urina (LF-LAM), indicado conforme a contagem de linfócitos CD4+, possibilitando diagnóstico precoce e início oportuno do tratamento. A testagem para HIV entre casos de TB apresenta crescimento contínuo desde 2019, alcançando 95,7% em 2024, sendo os dados de 2025 ainda parciais (Figura 3.1). A coinfecção TB-HIV manteve-se estável nos últimos anos. A partir de 2024, observa-se aumento dessa proporção no conjunto do município e também nas APs (Figura 3.2), sugerindo ampliação da detecção e possível intensificação da transmissão em territórios vulneráveis (Figura 3.3). Apesar desse crescimento, a forma pulmonar permanece predominante, representando cerca de 80–85% dos casos ao longo da série, enquanto a forma extrapulmonar se mantém estável em menores proporções, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acesso oportuno a exames sensíveis como TRM-TB, IGRA e LF-LAM (Figura 3.4). Entre os casos novos de coinfecção TB/HIV, a proporção de cura manteve-se pouco acima de 50% nos últimos anos (Figura 3.5). No mesmo período, observa-se aumento da interrupção do tratamento neste grupo, alcançando 23,5% em 2024 (Figura 3.6), com discreto aumento na proporção de óbitos, chegando a 7,3% em 2024 (Figura 3.7). Esses resultados evidenciam a importância do fortalecimento das estratégias de acompanhamento e adesão ao tratamento para pessoas com coinfecção TB/HIV.


3.1. Proporção de testagem para HIV e de coinfecção TB/HIV por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 95% para 2025.


3.2. Proporção de testagem para HIV e de coinfecção TB/HIV por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


3.3. Número de casos novos de coinfecção TB/HIV por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Ano 1.0 2.1 2.2 3.1 3.2 3.3 4.0 5.1 5.2 5.3 MRJ
2014 56 62 30 87 52 98 52 77 59 30 603
2015 73 39 19 112 39 77 76 70 54 38 607
2016 37 42 16 94 60 78 53 72 60 35 552
2017 52 47 15 105 65 86 74 87 65 31 628
2018 50 50 18 107 57 83 59 83 67 32 610
2019 47 51 14 86 44 83 60 67 43 37 536
2020 42 40 18 73 46 40 71 91 45 31 498
2021 53 45 25 91 50 90 63 70 60 34 589
2022 70 54 22 92 53 81 72 97 49 24 616
2023 58 59 25 89 55 96 64 81 30 27 591
2024 67 38 19 111 59 79 81 82 72 46 656
2025 76 69 19 107 86 97 103 125 111 51 847
a Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


3.4. Distribuição proporcional da forma dos casos novos de coinfecção TB/HIV por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


3.5. Distribuição proporcional da cura dos casos novos de coinfecção TB/HIV por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


3.6. Distribuição proporcional da interrupção de tratamento dos casos novos de coinfecção TB/HIV por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


3.7. Distribuição proporcional do óbito dos casos novos de coinfecção TB/HIV por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


4. Desfechos dos tratamentos de tuberculose

Em 2024, observou-se a melhor qualificação no encerramento dos casos de tuberculose (Figura 4.1), com apenas 0,3% de casos não encerrados (categorizados como ignorado), o menor índice da série histórica, além de uma baixa proporção de transferências (3,6%). Este resultado reflete o aprimoramento dos instrumentos de acompanhamento e monitoramento da atenção à saúde, sendo essenciais para o planejamento de políticas públicas e decisões mais informadas. A cura é o desfecho favorável na tuberculose, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que, para o controle da doença, o percentual de encerramentos por cura em casos novos de tuberculose pulmonar com confirmação laboratorial seja igual ou superior a 85%. No MRJ, a proporção de cura de TB pulmonar positiva por ano apresentou melhora, alcançando 74% em 2024 (Figura 4.2), com tendência de aumento na maioria das APs, exceto nas áreas 4.0 e 5.3 (Figura 4.3). Embora ainda abaixo da meta de 85%, esse resultado representa o maior patamar registrado em toda a série histórica dos últimos dez anos, indicando avanço na qualidade do acompanhamento e do tratamento dos casos. A interrupção do tratamento teve uma pequena redução no último ano, porém permaneceu acima da meta de 10%, atingindo 16,2% em 2024 (Figura 4.4). A interrupção do tratamento apresenta maior concentração em territórios marcados por maior vulnerabilidade social e pela presença de unidades prisionais, com destaque para as AP 1.0, 3.2 e 5.1 (Figura 4.6). Esse padrão reforça a necessidade de intensificar as estratégias de enfrentamento dos determinantes sociais e institucionais relacionados à doença, por meio da articulação entre vigilância em saúde, atenção primária, rede prisional e outras políticas intersetoriais. A mortalidade por tuberculose mantém-se estável desde 2020, com pequenas oscilações no período, alcançando 4,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2025 (Figura 4.7). O perfil sociodemográfico dos óbitos manteve-se estável no período, com predominância entre homens de 50 a 69 anos, negros e com menos de 7 anos de escolaridade (Figura 4.9).


4.1. Situação de encerramento dos casos de tuberculose por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


4.2. Proporção de cura de TB pulmonar positiva por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2024.


4.3. Proporção de cura de TB pulmonar positiva por AP e ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2024.


4.4. Proporção de interrupção de tratamento dos casos novos de TB pulmonar positiva por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 10% para 2024.


4.5. Proporção de interrupção de tratamento dos casos novos de TB pulmonar positiva por AP e ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 10% para 2024.


4.6. Mapa de concentração de casos de interrupção de tratamento de tuberculose, MRJ, 2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


4.7. Taxa bruta de mortalidade por tuberculose por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


4.8. Taxa bruta de mortalidade por tuberculose por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


4.9. Distribuição dos dados demográficos dos óbitos por tuberculose por ano, MRJ, 2014-2025

Sexo

Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Faixa etária

Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Raça/Cor

Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


Escolaridade

*Fonte: SIM, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


5. Tuberculose drogarresistente (TB-DR)

O monitoramento da tuberculose drogarresistente (TB-DR) permanece estratégico para qualificar intervenções, ampliar o rastreamento oportuno e fortalecer o tratamento preventivo. Entre 2014 e 2025, observou-se comportamento oscilante dos casos, com tendência de redução a partir de 2023, sendo registrados 117 casos em 2025 (Figura 5.1). A resistência à Rifampicina mantém-se como padrão predominante e crescente (Figura 5.2), evidenciando falhas no manejo da TB sensível e transmissão comunitária, o que reforça a relevância do TRM-TB e da vigilância de retratamentos. O predomínio da resistência primária (Figura 5.3) aponta circulação de cepas resistentes no território, demandando intensificação da busca ativa, avaliação de contatos e tratamento preventivo.Quanto aos desfechos, observou-se aumento significativo na proporção de cura dos casos de tuberculose drogarresistente entre 2020 e 2022 (Figura 5.4). Essa tendência recente de melhora sugere avanços na qualidade do cuidado. No entanto, torna-se fundamental manter e fortalecer estratégias que promovam a adesão ao tratamento e o acompanhamento multiprofissional, a fim de sustentar os resultados alcançados e prevenir possíveis retrocessos.


5.1. Casos de tuberculose drogarresistente por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SITE-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


5.2. Padrão de resistência dos casos de tuberculose drogarresistente, MRJ, 2014-2025

Padrões de resistência:

Monorresistência: resistência a um único fármaco, exceto Rifampicina.

Polirresistência: resistência a 2 ou + fármacos, exceto Rifampicina + Isoniazida.

Multirresistência: resistência a Rifampicina + Isoniazida.

Resistência extensiva: Resistência simultânea a Rifampicina e Isoniazida, a uma fluoroquinolona e a um injetável de segunda linha (amicacina, canamicina ou capreomicina).

Resistência à Rifampicina: resistência detectada somente à Rifampicina por TRM.

Fonte: SITE-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

5.3. Tipo de resistência (primária e adquirida) dos casos de tuberculose drogarresistente, MRJ, 2014-2025

Fonte: SITE-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


5.4. Proporção de cura dos casos de tuberculose drogarresistente, MRJ, 2014-2023

Fonte: SITE-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações. Considerados como cura os casos com desfecho como ‘Curado’ e ‘Tratamento completo’.


6. Populações especiais

Os determinantes sociais influenciam de forma decisiva a incidência e os desfechos da tuberculose. Pobreza, privação de liberdade, desigualdade social, moradia inadequada e desnutrição aumentam a vulnerabilidade e dificultam a adesão ao tratamento. O crescimento da proporção de beneficiários de programas de transferência de renda entre os casos novos reforça esse contexto (Figura 6.2), indicando que, apesar da oferta de diagnóstico e tratamento, as condições de vida ainda favorecem a transmissão e impactam a continuidade do cuidado. As recentes iniciativas como suporte social e auxílio alimentação podem contribuir para reduzir custos catastróficos e interrupções de tratamento nos grupos mais vulneráveis. Em 2024, observaram-se desigualdades nos desfechos: maiores proporções de cura entre beneficiários de programas de renda e profissionais de saúde; resultados intermediários entre imigrantes e pessoas privadas de liberdade; e piores indicadores entre a população em situação de rua, com maior interrupção de tratamento (Figura 6.3). Os achados reforçam a necessidade de estratégias intersetoriais e centradas na pessoa, com articulação entre saúde e assistência social. Destaca-se, ainda, a realização inédita de análise ampliada envolvendo população privada de liberdade, população em situação de rua e crianças menores de 15 anos.


6.1. Número de casos novos segundo populações especiais por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


6.2. Proporção de casos novos beneficiários de programa de transferência de renda do governo por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


6.3. Situação de encerramento do tratamento dos casos novos de tuberculose pulmonar segundo população especial por ano, MRJ, 2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


População privada de liberdade

Os indicadores de tuberculose na população privada de liberdade (PPL) evidenciam melhora consistente a partir de 2022, em consonância com a implantação das equipes de atenção primária prisional. A confirmação laboratorial dos casos novos pulmonares aumentou de forma expressiva, atingindo 86,9% em 2025, superando a meta nacional e demonstrando fortalecimento da capacidade diagnóstica (Figura 6.4). A realização de cultura nos casos de retratamento de TB também avançou, passando de menos de 25% até 2022 para 64,4% em 2024, aproximando-se da meta de 70% e qualificando a detecção de resistência medicamentosa (Figura 6.5). A testagem para HIV em PPL alcançou patamares superiores a 90% entre 2022 e 2024, mantendo-se elevada em 2025 e a proporção de coinfecção TB/HIV permaneceu estável, em nível inferior ao da população geral, possivelmente relacionado ao perfil predominantemente jovem da PPL e à ampliação da testagem (Figura 6.6). Em relação aos desfechos, a proporção de cura da TB pulmonar positiva apresentou tendência de aumento a partir de 2021, atingindo 78% em 2024 (Figura 6.7), enquanto a interrupção do tratamento apresentou tendência de redução, chegando a 12,6% em 2024, embora ainda permaneça acima da meta de 10% (Figura 6.8). Em conjunto, os dados indicam qualificação do cuidado e melhora na capacidade diagnóstica de novos casos de tuberculose em PPL, com necessidade de manter esforços para reduzir a interrupção e alcançar as metas estabelecidas.


6.4. Proporção de casos novos pulmonares confirmados por critério laboratorial na PPL por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2025.


6.5. Proporção de cultura realizada em casos de retratamento de TB na PPL por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 70% para 2025.

Nota: Os casos de retratamento correspondem aos que entraram no SINAN como “recidiva de TB” ou “retratamento após abandono”.


6.6. Proporção de testagem para HIV e de coinfecção TB/HIV na PPL por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 95% para 2025.


6.7. Proporção de cura de TB pulmonar positiva na PPL por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2025.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.


6.8. Proporção de interrupção de tratamento de TB pulmonar positiva na PPL por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 10% para 2025.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.


População de rua

Os dados de tuberculose na população em situação de rua (PSR) evidenciam avanços importantes no diagnóstico, embora persistam desafios relevantes nos desfechos clínicos, refletindo a elevada vulnerabilidade social desse grupo. A confirmação por critério laboratorial apresentou melhora consistente a partir de 2023 e superou a meta preconizada de 85% em 2024, demonstrando expressivo fortalecimento da capacidade diagnóstica por TRM-TB, cultura e baciloscopia, possivelmente associado à ampliação das equipes de Consultório na Rua e à maior integração com a Atenção Primária (Figura 6.9). A realização de cultura nos casos de retratamento também se manteve elevada nos anos recentes, alcançando 80,1% em 2023, reforçando a qualificação da investigação de resistência medicamentosa (Figura 6.10). A testagem para HIV apresentou cobertura alta e estável, superior a 90% (Figura 6.11). Contudo, a proporção de coinfecção TB/HIV se mostrou superior à observada na população geral, evidenciando maior vulnerabilidade estrutural (Figura 6.11). Os desfechos permanecem preocupantes: a proporção de cura atingiu 29,6% em 2024 (Figura 6.12), enquanto a interrupção do tratamento manteve-se elevada, alcançando 56,6% no mesmo ano (Figura 6.13), reforçando a necessidade de estratégias específicas de retenção e políticas intersetoriais voltadas a esse público prioritário.


6.9. Proporção de casos novos pulmonares confirmados por critério laboratorial na população de rua por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2025.


6.10. Proporção de cultura realizada em casos de retratamento de TB na população de rua por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 70% para 2025.

Nota: Os casos de retratamento correspondem aos que entraram no SINAN como “recidiva de TB” ou “retratamento após abandono”.


6.11. Proporção de testagem para HIV e de coinfecção TB/HIV na população de rua por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 95% para 2025.


6.12. Proporção de cura de TB pulmonar positiva na população de rua por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 85% para 2025.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.


6.13. Proporção de interrupção de tratamento de TB pulmonar positiva na população de rua por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 10% para 2025.

Nota: Casos novos de TB são os que entraram no SINAN como “caso novo”, “pós-óbito” ou “não sabe”, com forma da doença “pulmonar” ou “pulmonar + extrapulmonar”, e exame de escarro positivo, seja por baciloscopia, TRM ou cultura.


Tuberculose em crianças (< 15 anos)

Entre crianças e adolescentes menores de 15 anos, observa-se aumento do número de casos novos de tuberculose no município, passando de 186 em 2014 para 216 em 2025 (Figura 6.14), com predomínio consistente da forma pulmonar (cerca de 80%), em consonância com o perfil geral da doença (Figura 6.15). A proporção de cura nesse grupo mantém-se superior à observada na população geral, alcançando 84,4% em 2024, o que indica boa efetividade das estratégias de tratamento pediátrico e adesão ao acompanhamento supervisionado (Figura 6.16). Por outro lado, a interrupção do tratamento permanece oscilando entre 8% e 12% (Figura 6.17), evidenciando desafios no seguimento dessa população e a necessidade de intervenções específicas, como apoio domiciliar e articulação intersetorial com proteção social.


6.14. Número de casos novos de TB em crianças (< 15 anos) por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Ano 1.0 2.1 2.2 3.1 3.2 3.3 4.0 5.1 5.2 5.3 MRJ
2014 11 36 6 36 19 10 11 22 27 8 186
2015 14 30 6 21 19 27 16 8 18 6 167
2016 8 23 5 40 24 17 27 14 10 15 186
2017 16 18 8 46 28 19 25 38 14 19 231
2018 22 15 3 35 33 18 29 29 19 14 217
2019 34 13 7 50 23 22 40 28 5 4 226
2020 15 15 6 30 32 22 27 57 16 4 224
2021 18 29 14 36 30 25 40 29 13 5 241
2022 24 31 14 47 34 28 24 38 27 16 283
2023 32 25 12 36 44 33 27 16 21 7 253
2024 14 17 13 39 22 37 41 24 28 9 244
2025 9 33 9 31 22 23 33 32 11 11 214
a Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


6.15. Distribuição proporcional da forma dos casos novos de TB em crianças (< 15 anos) por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


6.16. Distribuição proporcional da cura dos casos novos de TB em crianças (< 15 anos) por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


6.17. Distribuição proporcional da interrupção de tratamento dos casos novos de TB em crianças (< 15 anos) por ano, MRJ, 2014-2024

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


7. Estratégias para redução do risco de adoecimento por tuberculose


A redução do risco de adoecimento por tuberculose exige uma abordagem integrada, combinando estratégias individuais, comunitárias e políticas públicas de saúde. A identificação precoce de casos ativos, por meio da busca ativa de sintomáticos respiratórios, avaliação de contatos e rastreamento em grupos de risco, é essencial. A identificação de pessoas que necessitam de tratamento preventivo ou de tratamento para tuberculose ativa, quando realizada de forma eficaz, pode reduzir significativamente o risco de adoecimento e contribuir de maneira decisiva para o controle da doença na comunidade, gerando benefícios significativos para a saúde pública. No MRJ, a captação de sintomáticos respiratórios permanece como um desafio, com variações ao longo do período, mantendo-se abaixo da meta preconizada de 1% (Figura 7.1). A busca de sintomáticos respiratórios constitui-se em uma estratégia central para a detecção precoce da tuberculose e interrupção da transmissão e deve ser uma das ações prioritárias para toda a rede de atenção à saúde. A proporção de contatos de casos novos de tuberculose pulmonar confirmados laboratorialmente avaliados apresentou tendência de aumento a partir de 2021, alcançando 72,3% em 2024 (Figura 7.2), refletindo no aumento de tratamentos preventivos no mesmo ano. A redução observada em 2025 provavelmente está relacionada à incompletude de dados, especialmente de casos ainda em acompanhamento. Essa tendência também se reflete na maioria das AP (Figura 7.3). Observa-se o aumento de tratamentos preventivos para os contatos de casos notificados em 2024, tanto para a população geral (Figura 7.4) como para PVHA (Figura 7.5), sendo o esquema mais utilizado o 3HP (Rifapentina + Isoniazida) (Figura 7.6), o qual proporciona maior adesão ao tratamento, com 81% de tratamento completo em 2024. O ano de 2025 ainda apresenta 35% dos casos sem encerramento no sistema de informação, o que prejudica a avaliação de completude do tratamento (Figura 7.7).

7.1. Proporção de sintomáticos respiratórios examinados por mês, MRJ, 2016-2025

Fonte: GAL-LACEN-RJ, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta 1%.



7.2. Proporção de contatos de casos novos de TB pulmonar confirmada laboratorialmente avaliados por ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações. Retirados os casos em privados de liberdade.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 70% para 2024.


7.3. Proporção de contatos de casos novos de TB pulmonar confirmada laboratorialmente avaliados por AP e ano, MRJ, 2014-2025

Fonte: SINAN, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações. Retirados os casos em privados de liberdade.

A linha tracejada vermelha corresponde à meta de 70% para 2024.


7.4. Realização de tratamento preventivo de tuberculose em contatos de casos de tuberculose, MRJ, 2018-2025

Fonte: IL-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


7.5. Realização de tratamento preventivo de tuberculose em PVHA, MRJ, 2018-2025

Fonte: IL-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


7.6. Medicamentos utilizados para o tratamento preventivo de tuberculose, MRJ, 2018-2025


Fonte: IL-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


7.7. Desfechos do tratamento preventivo de TB com Rifapentina + Isoniazida (3HP), MRJ, 2021-2025


Fonte: IL-TB, SMS-RJ. Dados sujeitos a alterações.


8. Perspectivas e desafios

Observa-se avanço na avaliação de pessoas com suspeita de tuberculose no MRJ, com ampliação da busca de sintomáticos respiratórios e aumento da detecção de casos novos confirmados. Contudo, persistem desafios para a manutenção e qualificação dos indicadores. As ações de controle não devem se restringir à Atenção Primária à Saúde, sendo necessária a integração com outros pontos da rede, com fluxos assistenciais bem definidos entre unidades hospitalares e serviços ambulatoriais, garantindo acesso oportuno ao diagnóstico e continuidade do cuidado. Apesar do progresso no acompanhamento dos casos, com a melhor proporção de cura em 2024, a interrupção do tratamento permanece elevada, favorecendo a ocorrência de resistência e piores desfechos. Nesse contexto, a eliminação da tuberculose como problema de saúde pública demanda ações articuladas, contínuas e intersetoriais. O município do Rio de Janeiro tem fortalecido estratégias de cuidado centrado na pessoa, considerando os determinantes sociais da doença. Destaca-se a implementação gradual do fluxo de atendimento por assistentes sociais das equipes e-MULTI e do Consultório na Rua, inicialmente nas AP 3.2 e 5.3 e, em 2025, na AP 5.1, com perspectiva de expansão para as demais AP. Essa estratégia qualifica a linha de cuidado ao identificar e intervir precocemente em vulnerabilidades sociais que impactam a adesão ao tratamento, além de fortalecer o trabalho multiprofissional, a busca ativa, o monitoramento dos casos e o acesso a direitos e à rede intersetorial. Paralelamente, foi instituída a oferta do Cartão Alimentação Estadual para pessoas em tratamento de tuberculose, com potencial para ampliar a segurança alimentar, reduzir custos catastróficos e favorecer a adesão terapêutica. Para avançar rumo à eliminação da tuberculose, é fundamental fortalecer ações de educação em saúde, ampliar o diagnóstico precoce e expandir o tratamento preventivo, especialmente entre contatos de casos de tuberculose pulmonar, pessoas vivendo com HIV/AIDS e indivíduos em uso de terapias imunossupressoras. A disponibilização de esquemas preventivos mais curtos e formulações pediátricas mais adequadas pode contribuir para maior adesão e conclusão do tratamento. Reitera-se, por fim, a importância da articulação intersetorial — com destaque para a política de assistência social — é essencial, por meio de avaliações socioassistenciais e do acesso a programas e políticas públicas, para assegurar direitos sociais e fortalecer a cidadania.


9. Considerações finais

A tuberculose segue como um desafio de saúde pública, exigindo tratamentos prolongados e enfrentando barreiras, apesar do acesso gratuito ao diagnóstico e à terapia pelo SUS. Fatores como pobreza, não acesso ou acesso limitado à alimentação, baixa escolaridade e precariedade no emprego impactam a adesão ao tratamento, evidenciando o papel dos determinantes sociais na doença. Avanços observados nos indicadores de diagnóstico, bem como na qualidade das informações do SINAN, têm contribuído para um diagnóstico situacional mais fidedigno, através de informações mais confiáveis e que permitem traçar a alocação de ações direcionadas de acordo com as necessidades de cada território. Ademais, um avanço importante foi a atenção especial aos privados de liberdade por meio da implantação das equipes de atenção primária prisional, o que tem contribuído para o diagnóstico precoce e a redução das interrupções no tratamento – um dos principais desafios para a eliminação da doença. No entanto, aumentar a proporção de casos curados e reduzir as interrupções do tratamento ainda são desafios que demandam um fortalecimento de fluxos complementares e colaboração intersetorial.


10. Referências

World Health Organization. Global Tuberculosis Report, 2025. Disponível em https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/e97dd6f4-b567-4396-8680-717bac6869a9/content. Acesso em 25 de fevereiro de 2025.


Relatório produzido pelo CIE - Centro de Inteligência Epidemiológica e pela Gerência da Linha de Cuidados de Doenças Pulmonares Prevalentes (GDPP) em 16/03/2026

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